TEXTOS E PRETEXTOS
Meus dedos são estas armas calejadas pelo ofício da escrita.
Domingo, Maio 06, 2012
Lua cheia
Escrever o silêncio.
A paz possível.
Agarrar na metáfora,
nas palavras não pronunciadas,
nos gestos transparentes,
e tudo guardar na opacidade húmida da alma.
A noite estende o seu azulado manto de veludo.
As nuvens? Salpicos de arminho.
E depois?
Depois_____________________________________ a Lua!
Esse estranho planeta misterioso e mutável como as fêmeas.
A Lua dos feitiços e dos segredos.
Também ela silêncio.
Também ela metáfora.
Toda ela noite!
C.S/2012
Quarta-feira, Abril 25, 2012
Abril
Menina de rosto cheio,
olhar vivo, loira trança,
cheia de sonho e de esperança,
e sob o tímido seio,
rejubilando o futuro,
batia o coração puro.
Estive lá !
Era Abril e Liberdade,
dos cravos revolução,
alegria, felicidade,
final da guerra, emoção!
Cantava o meu país novo,
também eu na flor da idade!
C.S. 2012
Domingo, Abril 22, 2012
De pedras e de azuis
Meus poemas? São tão antigos!
Singelos degraus, velhinhos musgos, os meus versos.
E eu vou subindo na vida, passo a passo,
a soletrar teu nome enquanto é tempo,
não vá faltar-me o fôlego pr'a te cantar.
Meus sonhos? Trepadeiras azuis!
Da cor das hortênsias e dos jacintos,
dos riachos, dos lagos e dos mares...
E eu vou sonhando, noite e dia,
a escrever teu nome enquanto é tempo,
não vá faltar-me a voz pr'a te inventar.
Porque tu sabes, meu AMOR, eu sei que sabes,
os meus poemas
são esta mescla de pedras e de azuis!
São tantos____________________,como as marés,
e no entanto, qual Oceano___________ apenas um,
_______________________________ apenas tu!
C.S. 2012
Sexta-feira, Abril 13, 2012
Quarta-feira, Janeiro 18, 2012
Segunda-feira, Janeiro 16, 2012
Luar
Se me ensinares os segredos do silêncio,
para sempre o meu poema será teu!
Se me contares dos campos e das sementes,
a terra inteira cobrirei de rubras rosas!
Se me deres tintas coloridas de arco-íris,
pintarei de azul de Vermeer o teu céu !
Se souberes dos voos e das rotas,
seguir-te-ei no dorso das mariposas!
Mas se fores apenas o segredo,
a escuridão imensa?
A inquietação?
Se apenas fores o luar de janeiro,
o frio do inverno, a chuva intensa?
Este vento que me arrasa o coração?
Seja eu então a escrava nua,
ao tronco frio acorrentada.
Seja eu apenas a triste Lua,
que na minha alma se vê espelhada.
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Sábado, Janeiro 14, 2012
Intrigante
Não saberia dizer-te dos meus olhos.
Da sua cor roubada às folhas outonais,
ao mar alto, ao vento breve... horas finais
dos dias que me vestiam de folhos.
Não saberia contar-te de que falam
as íris esquecidas dos poemas meus;
pequenas as janelas que se alargam
no secreto horizonte dos olhos teus.
As palavras nos meus olhos são intrigantes,
mistérios que poucas almas reconhecem;
são palavras de malas feitas, emigrantes,
prontas p'ra seguir quem as merecem.
O que dizem os meus olhos? Nem eu sei...
Que sou barco, que sou vela, que ao mar me dei?
O que dizem os meus olhos?Nem eu sei!
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